Entendendo como o ClippPro processa TEF e Venda POS


Este artigo reúne, em um único material, os conceitos de SmartPOS, maquininha de cartão tradicional e TEF (Transferência Eletrônica de Fundos), além de explicar como funcionam as duas formas de TEF utilizadas na Linha Clipp: por troca de arquivos e por DLL. O objetivo deste artigo é servir de base de consulta para dúvidas no funcionamento das maquininhas.

Observação: este artigo cobre a parte conceitual de vendas POS e TEF. As informações sobre o funcionamento interno do aplicativo dentro da maquininha (ZPOS), configurações e liberação, estão detalhados no material específico sobre o ZPOS.

1. SmartPOS x Maquininha de Cartão: qual é a diferença

Toda SmartPOS é uma máquina de pagamento, mas nem toda máquina de pagamento é uma SmartPOS.

Característica Maquininha tradicional SmartPOS
Função principal Processar pagamentos Processar pagamentos + executar aplicações
Sistema operacional Normalmente fechado/próprio Geralmente Android ou plataforma semelhante
Tela LCD ou touchscreen simples Normalmente touchscreen
Aplicativos Muito limitado Pode executar aplicativos
Internet 4G/Wi-Fi, dependendo do modelo 4G/5G, Wi-Fi, Bluetooth etc.
Cartão com chip Sim Sim
Aproximação/NFC Geralmente Sim
QR Code Dependendo do modelo Frequentemente
Câmera Raramente Pode ter
Impressora Alguns modelos Alguns modelos
Integração com sistemas Mais limitada Muito mais flexível
Atualização Geralmente controlada pelo fornecedor Pode permitir atualização remota de apps/sistema
Uso como PDV Não é o objetivo Pode executar aplicações de PDV
Complexidade para testes Menor Maior

Na prática: uma máquina tradicional é essencialmente um terminal de pagamento. Já a SmartPOS é um dispositivo como um terminal Android, com ecossistema de aplicativos, conectividade própria e possibilidade de integração com sistemas de negócio.

2. O que existe dentro de uma SmartPOS

Uma SmartPOS reúne hardware e software para executar aplicações e processar pagamentos:

  • Sistema operacional: geralmente Android, permite executar aplicativos e receber atualizações.
  • Processador e memória: sustentam o funcionamento do sistema e dos aplicativos.
  • Armazenamento: usado pelo sistema operacional, aplicativos e configurações.
  • Internet/conectividade: Wi-Fi, 4G/5G e, dependendo do modelo, Bluetooth e USB.
  • Leitor de cartão com chip: permite pagamento por inserção do chip.
  • NFC: permite pagamento por aproximação (cartão, celular ou outro dispositivo compatível).
  • SIM Card: conexão com a rede móvel, quando o equipamento suporta.
  • SAM: componente de segurança e autenticação presente em alguns modelos.
  • Tela touchscreen: interação com o usuário e execução dos aplicativos.
  • Impressora térmica: presente em alguns modelos, para impressão de comprovantes.
  • Câmera: presente em alguns equipamentos, usada para leitura de QR Code e códigos de barras.
  • Bateria: permite o uso portátil do equipamento.
  • Recursos de segurança: mecanismos para proteger transações e dados de pagamento.

3. Funcionalidades e limitações da SmartPOS

Funcionalidades: além de processar pagamentos, a SmartPOS pode executar aplicativos e, dependendo do modelo e da solução usada, funcionar como um pequeno terminal de vendas integrado a um PDV. Também pode receber atualizações de sistema e de aplicativos remotamente. Limitações: mesmo usando um sistema operacional parecido com o de um celular, a SmartPOS não funciona como um celular comum (existem restrições de segurança e de acesso ao sistema). Algumas funcionalidades dependem do modelo do equipamento:

  • Impressora
  • Câmera
  • 4G/5G
  • Bluetooth
  • NFC
  • Leitor de tarja
  • Quantidade de memória e armazenamento

O funcionamento também pode ser afetado por: perda de internet, bateria baixa, falta de papel, falhas no aplicativo ou interrupção durante uma transação.

4. Estados e comportamentos de uma transação

Uma transação pode passar pelos seguintes estados, nesta ordem:

Aguardando cartão → Processando → Autorizando → Aprovado → Finalizado

Também podem ocorrer as seguintes situações durante o processo:

  • Transação cancelada
  • Pagamento recusado
  • Timeout
  • Perda de conexão
  • Cartão removido durante o processamento
  • Equipamento reiniciado durante uma transação
  • Aplicativo fechado durante o pagamento

5. O que é TEF

TEF significa Transferência Eletrônica de Fundos. É a solução que integra o sistema de vendas/PDV à operação de pagamento com cartão. Fluxo simplificado de uma venda de R$ 100,00:

PDV → TEF → equipamento de pagamento → banco/adquirente → resposta → TEF → PDV

O sistema de vendas envia o valor da venda para o TEF. O TEF encaminha a operação ao meio de pagamento e devolve ao sistema o resultado: pagamento aprovado, recusado, cancelado, ou transação pendente/com erro. Resumo comparativo:

  • Maquininha: equipamento que realiza o pagamento.
  • SmartPOS: maquininha inteligente que também pode executar aplicativos.
  • TEF: solução que integra o sistema de vendas ao processo de pagamento.

Na Linha Clipp utilizamos basicamente dois tipos de TEF: por troca de arquivos e por DLL (detalhados nos próximos itens).

6. TEF via Troca de Arquivos: passo a passo

Em vez de o PDV chamar diretamente uma função/API para iniciar o pagamento, os dois sistemas (PDV e software de pagamento) trocam arquivos em uma pasta previamente definida:

PDV → cria arquivo → TEF lê o arquivo → realiza pagamento → TEF cria retorno → PDV lê retorno

  1. Venda realizada: no exemplo, um produto de R$ 100,00 pago no Cartão → Crédito.
  2. O PDV cria um arquivo em uma pasta determinada, com as informações da operação (ex.: VALOR=100,00 / TIPO=CREDITO).
  3. O TEF monitora a pasta e, ao identificar um novo arquivo, entende que há uma solicitação de operação e inicia o processo de pagamento.
  4. O TEF conversa com o equipamento, solicitando ao cliente que insira ou aproxime o cartão, informe a senha ou escolha uma modalidade, quando necessário.
  5. O pagamento é processado e enviado para autorização, podendo o resultado ser aprovado, negado ou cancelado.
  6. O TEF gera um arquivo de retorno na pasta de comunicação, informando o resultado (ex.: STATUS=APROVADO / VALOR=100,00 / NSU=123456).
  7. O PDV lê o retorno, identifica o resultado (ex.: pagamento aprovado) e finaliza a venda.

Essa comunicação baseada em arquivos é um protocolo relativamente simples entre dois sistemas que não precisam conversar diretamente por API. Se o TEF do cliente for por troca de arquivos, geralmente já funciona com os sistemas da Linha Clipp, pois esse tipo de comunicação é padrão entre os TEFs desse modelo, como o SiTef e o PayGo, que atuam como intermediários entre o PDV e o meio de pagamento.

7. TEF DLL

No TEF DLL, a comunicação não acontece por arquivos, mas por uma DLL: o próprio sistema chama funções disponibilizadas por ela para solicitar a operação de pagamento e receber o resultado.

PDV → DLL → TEF → pagamento → DLL → PDV

A DLL funciona como uma ponte entre o sistema de vendas e a solução de pagamento: o sistema solicita, por exemplo, "pagamento de R$ 100,00 no débito", a DLL comunica com o TEF e retorna o resultado da operação. Importante: integrar um sistema ao TEF DLL exige desenvolvimento específico. Cada caso precisa ser avaliado individualmente. Situação atual das integrações:

  • TEF DLL do SITEF: integrado, apenas no módulo de NFC-e.
  • TEF Scope (Linha Clipp): integração em andamento, apenas para os frentes de caixa.

8. Venda POS

Quando não há integração com TEF nem com outra solução integradora (como o ZPOS), deve ser utilizada a opção Venda POS. Nesse caso, o pagamento é feito diretamente na maquininha e, depois, o operador informa manualmente no sistema os dados da transação (tipo de pagamento e demais informações solicitadas). Ou seja, o sistema não recebe os dados automaticamente da maquininha: quem informa é o próprio usuário.

9. Preenchimento dos dados de pagamento no XML

Em toda venda, o XML precisa informar a forma de pagamento utilizada. Quando o pagamento for feito por Cartão, PIX ou Voucher, também deve constar se o pagamento foi integrado ou não integrado. Se for um pagamento integrado, também deve ser informado o CNPJ da adquirente responsável pela transação. Essas informações são preenchidas automaticamente pelos sistemas das linhas Clipp e Web, de acordo com a forma de pagamento e a integração utilizada, e o operador não precisa preenchê-las manualmente quando a venda é integrada.

10. Importação e conciliação de recebimentos de cartão

Clientes que vendem no cartão normalmente recebem da adquirente um arquivo com as informações das transações, além do repasse dos valores para a conta bancária cadastrada. Esses arquivos não têm um padrão único: cada adquirente disponibiliza as informações em um formato próprio. No Clipp, em Contas a Receber → Receber Contas, existe a opção Importar, que permite importar arquivos em um formato pré-definido pelo sistema. Essa funcionalidade foi usada primeiro internamente e depois disponibilizada aos clientes. Exemplo interno: Rede + Accesstage. A adquirente usada internamente é a Rede, cujo arquivo não tinha um layout amigável para importação direta no Clipp. Por isso, foi contratada a Accesstage, empresa terceira que recebe, organiza e padroniza os dados, entregando um arquivo em formato compatível com o Clipp. Essa solução tem custo mensal, então vale avaliar caso a caso: compensa mais para clientes com alto volume de transações; para volumes baixos, pode ser mais simples conferir e dar baixa manualmente no Contas a Receber. Por que a conciliação é complexa: o valor recebido da adquirente nem sempre corresponde ao valor da venda registrada no sistema, por causa de taxas, descontos e antecipação de recebíveis, que também pode gerar descontos adicionais. Também existem cancelamentos, estornos e ajustes (ex.: cancelamento de uma venda antiga já recebida, que gera um novo repasse ou desconto a ser relacionado ao recebimento correto). Cada adquirente ainda trabalha com formatos, regras, taxas e códigos próprios. Por isso, a conciliação precisa considerar, além do valor da venda:

  • Taxas da adquirente
  • Antecipação de recebíveis
  • Cancelamentos
  • Estornos
  • Contestação
  • Ajustes
  • Diferenças entre valor da venda e valor recebido
  • Transações antigas que podem impactar recebimentos futuros

Isso torna a integração de conciliação bem mais complexa do que uma simples importação de arquivo: ela precisa identificar e relacionar corretamente essas diferenças com as transações e recebimentos já existentes no sistema.